quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
terça-feira, 29 de novembro de 2016
VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: O que a Igreja tem a ver com isso?
Dia 25 de Novembro é o Dia Internacional Dedicado a Não
Violência contra as Mulheres. A Igreja
do Pinheiro esteve mais uma vez num ato público denunciando esse pecado estrutural
que tem matado 16 mulheres por dia em Alagoas, no Brasil e em toda América
Latina.
Mas, o que a Igreja tem a ver com isso? Depois das
últimas pesquisas divulgadas que acusam que 40% das mulheres vítimas de
violência doméstica no Brasil são EVANGÉLICAS não é possível mais que as
igrejas se isentem da culpa e da luta.
As Igrejas evangélicas, formadas em sua maioria por
mulheres tem um duplo potencial no contexto de uma cultura machista violenta:
Podem ser aliadas das mulheres na sua luta pela dignidade e direito à vida ou
podem ser aliadas da cultura machista que mata. Sim! Não existe neutralidade.
Se há omissão de igrejas que dizem não ter nada a ver com isso, e, portanto,
esse não é um assunto para se importar, tal omissão está somando para
fortalecer o machismo que mata.
De que lado estão a maioria das Igrejas evangélicas no
Brasil? Os dados da pesquisa tristemente
e vergonhosamente dão uma resposta incontestável. As Igrejas também são
culpadas! Por ação ou omissão, são culpadas!
São culpadas quando dos púlpitos ou nos estudos
bíblicos são repetidos e reforçados os discursos de inferioridade, subordinação
das mulheres ensinando que as mulheres devem ficar caladas. Quando reforçam
relações injustas de poder e dominação dos homens sobre as mulheres. Quando a
favor da proteção dos “valores da família tradicional” não denunciam os casos
de violência e abuso no seio das famílias evangélicas. Quando se negam a ser
espaços seguros que favoreçam a denúncia e o cuidado às mulheres das Igrejas
vítimas de violências diárias. Quando ignoram e ficam indiferentes aos casos de
violências de mulheres ocorridas cotidianamente dentro e no entorno da igreja.
Quando não falam sobre isso em seus cultos e reuniões. Quando reproduzem
interpretações bíblicas patriarcais que legitimam desigualdades, violências e
opressões que alimentam o intento dos homens dominadores e violentos que
agridem e matam, considerando mulheres como propriedade. Por essas e outras
razões é que ouso dizer que o sangue derramado dos 40% das mulheres evangélicas
vítimas de violência será cobrado mais das mãos dos religiosos e igrejas do que
de qualquer outro poder ou instância.
Que respostas as Igrejas evangélicas brasileiras darão
a essa alarmante realidade denunciada pela pesquisa? Temo que a maioria
continuará a não se importar, perguntando: O que tem as Igrejas a ver com isso?
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
Matéria do Jornal Gazeta de Alagoas - edição do dia 19 de novembro de 2016
Iniciativa foi de mulheres da
própria IBP que se reuniam para ler
FLOR DE MANACÁ: DEZ ANOS DE LEITURA BÍBLICA
Por: DA REDAÇÃO COM ASCOM IBP
No ano de
2006, o grupo Flor de Manacá foi organizado na Igreja Batista do Pinheiro como
um grupo de Bíblia e gênero que visava interpretar textos bíblicos a partir de
uma perspectiva feminista, inaugurando, assim, naquela igreja, uma nova
possibilidade de relação com a Bíblia, marcada por uma metodologia de leitura
popular e feminista da Bíblia e pela relação direta com os dilemas enfrentados
no cotidiano das pessoas que vivem nessas comunidades.
A
iniciativa foi de um grupo de mulheres da própria igreja, que começou a se
reunir com o objetivo de ler a Bíblia a partir da perspectiva de gênero. “O
grupo surge provocado por duas realidades: a primeira delas é a situação de
vida de uma grande parte de mulheres nordestinas que ainda sofrem com o peso
cultural do discurso machista e violento perpetuado por parte da cultura
nordestina; a outra realidade que provocou o grupo diz respeito à forma como o
discurso bíblico e religioso é legitimador dessa cultura machista que foi e
continua sendo incorporado pela cultura nordestina. Muitos homens e principalmente
mulheres vivem debaixo do jugo das muitas leituras patriarcais, opressoras e
violentas, que têm gerado relações injustas, medo, dor e marcas profundas”,
afirma a pastora Odja Barros, que conduz o grupo desde a sua criação.
O nome Flor
de Manacá foi inspirado na história de uma matriarca da comunidade e sua paixão
pelos ‘pés de manacá’. “As flores de manacá nascem lilás, depois ficam rosada e
no último ciclo ficam brancas. Mudam de cor de acordo com suas fases de
amadurecimento. Essa flor tem muito em comum com essa matriarca da comunidade –
irmã Moça como era conhecida, com as mulheres da Bíblia, com as mulheres
nordestinas e todas as outras mulheres: resistência, capacidade de sobreviver e
reproduzir-se em condições difíceis, mantendo a beleza das cores. Tudo isso
traduzido em uma bela floragem de cores branca, rosa e lilás”, reitera a
pastora Odja.
O grupo
Flor de Manacá, em 2016, completa dez anos de uma leitura bíblica libertadora e
transformadora, buscando um caminho de libertação, de cura e de reconstrução
que traga vida melhor para mulheres nordestinas através da releitura da Bíblia
com o lema: Mulher, Bíblia e Nordeste.
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Mulheres IBP e Grupo Flor de Manacá realizam Culto/Ato e vão para rua em protesto aos alarmantes casos de feminicídio em Alagoas - 31/10/2016
Nossa
garganta é um grito! Nem Uma a Menos. Basta!
GRITO
Por
Thamara Arruda
Qual
a culpa do meu gênero?
Qual
a culpa do formato do meu órgão genital?
Que
violência é essa na minha mente?
Quem
é você que se acha o tal?
Meu
seio já não produz leite
Meu
seio produz sangue
Meu
ventre gera vida
Meu
corpo, um perigo constante
Quem
é você que me toma por um instante?
Minha
garganta é um grito, eu preciso de uma voz
Preciso
de liberdade
Não
preciso de um algoz
Até
quando choros silenciados?
Até
quando bocas amordaçadas?
Um
olhar agoniado, desesperado
Palavras
e atitudes que matam
Ei
vocês, me escutem
Me
ajudem
Me
ouçam
Pelo
amor de Deus, pelo amor de Javé, pelo amor de Alá
Me
socorram!
Me
emprestem seus ouvidos
Me
estendam as mãos
Para
que eu não seja mais uma, e mais uma
Com
o corpo estendido no chão
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Assine a petição - Atenção pública aos alarmantes casos de feminicídio em Alagoas
Alagoas aparece em dados estatísticos recentes como o segundo Estado em violência contra mulheres.
Nos últimos meses deste ano é alarmante os casos de abuso sexual , violência doméstica e assassinato de mulheres em Alagoas.
É responsabilidade do Estado promover segurança e apoio às mulheres vítimas de violência através de politicas públicas e ações preventivas.
https://secure.avaaz.org/po/petition/Governador_Secretaria_de_Seguranca_Publica_e_MPE_de_Alagoas_Atencao_publica_aos_alarmantes_casos_de_feminicidio_em_Alago/?ciZiqbb&utm_source=sharetools&utm_medium=copy&utm_campaign=petition-391123-Governador_Secretaria_de_Seguranca_Publica_e_MPE_de_Alagoas_Atencao_publica_aos_alarmantes_casos_de_feminicidio_em_Alago&utm_term=iZiqbb%2Bpo
terça-feira, 1 de novembro de 2016
Grupo Flor de Manacá: 10 anos de Mulher, Bíblia e Nordeste
Historicamente
as igrejas batistas tiveram organizações femininas que visavam reunir mulheres
e trabalhar temas relacionados ao “universo feminino”, mas a lógica e conteúdo
dessas organizações sempre foram em sua maioria legitimadora e reprodutora de
conceitos e padrões patriarcais e marcada pela reprodução sistemática de
conteúdos prontos, sem qualquer articulação com os grandes dilemas sociais,
políticos, culturais, e mesmo espirituais que tocam especificamente a vida de
mulheres em seus contextos mais específicos.
A Bíblia
por sua vez sempre teve valor imensurável e, portanto, sempre esteve presente
na prática dessas organizações de mulheres, porém sempre trazida numa lógica e
argumento patriarcal reforçando posturas como culpabilização da mulher pelo
pecado original, submissão e legitimação da desigualdade entre homens e
mulheres. As histórias ou narrativas bíblicas foram sempre usadas para reforçar
certo tipo de comportamento e virtudes nas mulheres de cristãs “piedosas” com
discursos de subserviência voluntária como virtude cristã.
No ano de
2006, o grupo Flor de Manacá foi organizado na Igreja Batista do Pinheiro como
um grupo de Bíblia e gênero que visava interpretar textos bíblicos a partir de
uma perspectiva feminista, inaugurando, assim, na Igreja Batista do Pinheiro
uma nova possibilidade de relação com a Bíblia, marcada por uma metodologia de
leitura popular e feminista da Bíblia e pela relação direta com os dilemas
enfrentados no cotidiano das pessoas que vivem nessas comunidades.
A
iniciativa foi de um grupo de mulheres da própria igreja, que começou a se
reunir com o objetivo de ler a Bíblia a partir da perspectiva de gênero. O
grupo surge provocado por duas realidades: a primeira delas é a situação de
vida de uma grande parte de mulheres nordestinas que ainda sofrem com o peso
cultural do discurso machista e violento perpetuado por parte da cultura
nordestina; a outra realidade que provocou o grupo diz respeito à forma como o
discurso bíblico e religioso é legitimador dessa cultura machista que foi e
continua sendo incorporado pela cultura nordestina. Muitos homens e
principalmente mulheres vivem debaixo do jugo das muitas leituras patriarcais,
opressoras e violentas, que têm gerado relações injustas, medo, dor e marcas
profundas.
O nome flor
de manacá foi inspirado na história de uma matriarca da comunidade e sua paixão
pelos “ pés de manacá”, arbustos que dão flores mutáveis. As flores de manacá
nascem lilás, depois ficam rosada e no último ciclo ficam brancas. Mudam de cor
de acordo com suas fases de amadurecimento “A flor de manacá tem muito em comum
com essa matriarca da comunidade (irmã Moça como era conhecida), com as
mulheres da Bíblia, com as mulheres nordestinas e com todas as mulheres:
“resistência, capacidade de sobreviver e reproduzir-se em condições difíceis, mantendo
a beleza das cores. Tudo isso traduzido em uma bela floragem de cores branca,
rosa e lilás. ” O grupo Flor de Manacá
em 2016 completa 10 anos de uma leitura bíblica libertadora e transformadora. Com o lema: Mulher, Bíblia e Nordeste, o Grupo
Flor de Manacá busca caminho de libertação, de cura e de reconstrução que traga
vida melhor para mulheres nordestinas através da releitura da Bíblia”.
Pra. Odja Barros
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