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sábado, 8 de março de 2025

Culto Celebrativo Orando com Elas 8M | Reflexão Bíblica: Pra. Odja Barros | 9/3/2025

👥Culto Dominical ✅Domingo, 9 de março de 2025. 🌲#PinheiroVivoEDePé 📖Reflexão Bíblica: Pra. Odja Barros 🌲Celebrando a Fé em Comunhão👥 ⛪Igreja Batista do Pinheiro - Maceió, AL. 🥇Patrimônio Material e Imaterial de Alagoas. 👍Curta e compartilhe o vídeo.

segunda-feira, 8 de março de 2021

8M FLOR DE MANACÁ: POR UMA VIDA RESPIRÁVEL PARA TODAS AS MULHERES

“O ladrão vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e vida em abundância.” (João 10:10)

 O maior entrave para a vida respirável para todas as mulheres é o vírus da violência patriarcal e de gênero. O “joelho” do racismo sexista tem sido “ladrão” e “assassino” da vida plena, digna e respirável para todas as mulheres. A subordinação, silenciamento e inferiorização são algumas das violências historicamente praticadas e legitimadas pela religião patriarcal. Por meio de imagens, símbolos, mitos, modelos e estruturas e discursos patriarcais, a violência sexista e de gênero é sacralizada em discursos e práticas religiosas que sustentam os sistemas e relações de poder e violência, geradoras de morte, condenando as mulheres a uma vida pesada de respiração difícil e ofegante.

O discurso religioso cristão reflete uma das formas mais poderosas através do qual a violência contra às mulheres se alimenta e se mantém. A Bíblia, como texto religioso, tem sido usada como instrumento de legitimação, servindo de cúmplice do pecado da violência sexista e de gênero. Apesar do movimento de Jesus em nada se assemelhar a religião patriarcal que oprime e subjuga, a tradição cristã, tornou-se algoz cruel contra a vida e os corpos das mulheres. Por isso, a leitura feminista da Bíblia tem sido, para nós, mulheres do Grupo Flor de Manacá, caminho de luta e resistência contra o vírus do patriarcado violento que em nome de Deus tem sido “um ladrão que veio para matar, roubar e destruir”. Nós, porém, neste 8M, sopradas pela ventania da Ruah, ocupamos as redes, com nossos corpos, e com junto com a voz feminina de Deus que grita a favor das mulheres, em Isaías 42:14, gritamos: “Há muito tempo estive calado. Permaneci quieto e aguentei. Mas agora darei gritos como a mulher que em trabalho de parto, vou gemer e suspirar” por uma vida respirável para todas as mulheres!




segunda-feira, 1 de março de 2021

8M FLOR DE MANACÁ: POR UMA VIDA RESPIRÁVEL PARA TODAS AS MULHERES!

 “Envias a tua Ruah e renovas a face da terra!” 

Abrimos a semana 8M Flor de Manacá, em oração e comunhão com a vida das mulheres, vidas asfixiadas e ameaçadas, não apenas pela pandemia da COVID-19, mas pelo vírus sufocante da violência patriarcal, racista e capitalista que tem roubado o direito supremo da vida respirável para todas as mulheres. Ruah é a palavra hebraica para Espírito. No relato da criação, encontra-se em Gn.1:2 “e a Ruah de Deus pairava flutuava sobre as águas...” Também, em Gn. 2:7 “Então Deus fez o ser humano com o pó da terra e soprou-lhe nas narinas a Ruah de vida, e o ser humano tornou-se ser vivente.” Ruah como elemento bíblico fornece uma outra linguagem para falar de Deus, da vida em movimento e em relação. Tem importância o fato da palavra Ruah na língua semítica ser de gênero feminino. Oposta a tudo que é morto e estático, Ruah é termo que traduz movimento. Aquilo que põe a vida em movimento. Remete sempre a algo dinâmico: vento, tempestade, folego, sopro, hálito ou força criadora. Ruah é tudo que supera o que é inerte, morto. Por isso a própria Ruah não é palavra que se defina ou traduza facilmente. Pode-se apenas dizer em movimento o que ela faz, provoca. Na experiencia cristã, muita coisa se perdeu quando se traduziu a palavra Ruah para o termo grego “pneuma”, e principalmente mais tarde, quando se traduziu para o termo masculino latim "Spiritus”. É urgente que se recupere a força da palavra Ruah, seu caráter feminino de movimento que gera vida. Neste março 2021, quando a vida respirável para todas as mulheres e todo planeta, está ameaçada, em um grande sussurro e respiro, nós mulheres Flor de Manacá, oramos juntas á Ruah com o Salmo 104: “Envias a tua Ruah e renovas a face da terra”, Vem! Sopra o teu fôlego e promove vida respirável para todas as mulheres!


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Orando com Elas | Armando a Tenda das Mulheres IBP | Sábado 27/02/2021

 

TEMA: Mulher, alargue sua Tenda!
“Estenda bem as cortinas da sua tenda” Isaías 54.2
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👥Culto Semipresencial e On-line💻
Grupo Flor de Manacá IBP
Mulher, Bíblia e Nordeste🌺
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Igreja Batista do Pinheiro - Maceió, AL.
⛪Alargando a tenda 2021. IBP em movimento!🌲

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

UMA LITANIA PELA VIDA DAS MULHERES EM 2021

 

Oh divina Ruah, espírito feminino de Deus, quando sopras o teu fôlego renovas a face da terra! Envia o SOPRO de graça e força que sopraste sobre nossas ancestrais da Bíblia, para que venham dançar conosco a ciranda da vida em 2021!

Responso: Vem dançar conosco!
EVA, de quem somos todas filhas, vem dançar conosco e ensina-nos a parir a esperança com sagrada desobediência e romper maldições que atentam contra nossos corpos e o corpo da terra!
HAGAR, nossa mãe ancestral no deserto, vem dançar conosco, enxugando nossas lágrimas e nos ajudando a romper escravidões e opressões!
SIFRÁ E PUÁ, parteiras da vida, vem dançar conosco, dando-nos valentia para desafiar as ordens de morte dos “Faraós” e dando-nos força para gritar que não pariremos nossos filhos e filhas para a morte!
RUTE E NOEMI, vem dançar conosco, enchendo-nos de sororidade para compartilhamos nossas dores e construir juntas nossa própria redenção!
ANA, vem dançar conosco, fazendo-a desafiar teologias, sacerdotes e templos estéreis de amor, ensinando-nos uma fé teimosa e geradora de vida!
JUDITE, que agiu na defesa do seu povo ameaçado pela morte, enquanto os poderosos e autoridade não tinham resposta ou decisão, vem dançar conosco, animando-nos a participar dos caminhos de libertação do nosso povo!
SULAMITA, mulher negra e bela, vem dançar conosco, mostrando-nos caminhos para experimentar o amor de Deus na liberdade e na eroticidade dos nossos corpos!
MARIA DE NAZARÉ, cantora do amor revolucionário de Deus derramado em toda gente empobrecida, vem dançar conosco, participando-nos sua atitude profética que depõe tronos e despede poderosos!
IZABEL, prima de Maria, que na sua velhice recebeu o amor fecundo de Deus, vem dançar conosco, ensinando-nos a acolher-nos como mulheres, sendo casa e abrigo umas para as outras!
MULHER SIRO-FENÍCIA E SUA FILHA, que fizeram Jesus olhar para quem estava “debaixo da mesa”, vem dançar conosco, dando-nos a valentia de gritar que não aceitamos migalhas!
MARIA MADALENA, apóstola dos apóstolos, vem dançar conosco, dando-nos a força para enfrentar e vencer o pecado e a violência patriarcal que nos cerca, e anunciar ressurreição em meio a morte! Porque “Eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer!”

Dedico esta Litania às mulheres da Igreja Batista do Pinheiro e a todas as mulheres, de perto e longe, que me acompanharam no ano de 2020. Que dancemos juntas o ano de 2021, sopradas pela ventania amorosa da Ruah! 

Odja Barros 
Maceió, 28 de dezembro de 2020.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Cinco "nada ortodoxas" mães de Jesus

É incomum em uma cultura patriarcal, uma genealogia matrilinear. Mas, no Evangelho de Mateus encontramos cinco mães nas raízes genealógicas de Jesus: Tamar, Raabe, Rute, Betseba e Maria de Nazaré. Mulheres “nada ortodoxas”.  “Nada ortodoxos” foram também os caminhos pelos quais se tornaram mães genealógicas de Jesus. Entre elas, estrangeiras, transgressoras e até mulheres consideradas de reputação duvidosa. Essas foram as escolhidas mães de Jesus. Seus nomes, suas histórias contrariavam totalmente o modelo religioso-patriarcal vigente.
Reler essas histórias, pode ajudar a rever as imagens e modelos idealizados do ser mãe que pesa sobre as mulheres nas culturas cristãs patriarcais. Vamos celebrar e fazer memória dessas “nada ortodoxas” mães de Jesus durante esta semana.

Odja Barros

Clique no link para ter acesso aos textos sobre as cinco "nada ortodoxas" mães de Jesus.


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terça-feira, 21 de abril de 2020

segunda-feira, 20 de abril de 2020

CONVITE 🙏🌸ORANDO COM ELAS ON-LINE 🌸🙏

Um convite da comadre Ruah à todas as mulheres IBP
Ah, minha criatura admirável...
Seja bem-vinda...
Entre, entre...
Estou esperando por você...é, por você e pelo seu espírito! Fico feliz por você ter conseguido encontrar o caminho...
Venha, sente-se comigo um pouco. (...)
Venha, experimente essa poltrona. Acho que é perfeita para o seu corpo querido.
Pronto, agora respire bem fundo... deixe os ombros caíres até o ponto que lhes seja natural. Não é bom poder respirar esse ar puro? Respire fundo mais uma vez. Vamos... Eu espero... Viu? Está mais calma, mais presente agora.
Preparei a lareira perfeita para nós. o fogo vai durar a noite inteira - suficiente para todas as nossas "histórias dentro de histórias".
Um momentinho só, enquanto termino de lavar a louça bonita. Vamos beber o que estávamos reservando para "uma ocasião especial". Sem dúvida, "uma ocasião especial" é qualquer ocasião à qual a alma esteja presente. Você já percebeu? "Reservar" para outra hora é jeito que o ego tem de dizer, rabugento, que não acredita que a alma mereça prazer dia-a-dia. Mas, ela merece, de verdade. A alma sem dúvida merece.
Por isso vamos nos sentar um pouco, comadre, só nós duas... e o espírito que se forma sempre que duas almas ou mais se reúnem com apreço mútuo, sempre que duas mulheres ou mais falam de "assuntos que importam de verdade". (...)
Trecho de "A pequena casa na floresta" - A ciranda das mulheres sábias de Clarissa Pinkola Estés.
Essas palavras podem ser lidas como um convite da comadre Ruah para todas as mulheres que desejam juntar em nosso Orando com Elas On-line.

📍Terça-feira, 21 de abril, às 19h.
📝Tema: Revestidas da Ruah para Resistir os Dias Maus
💃Convidada: Rev. Lilian Conceição
🎼Música: Andréa Laís
Participe conosco e convide as comadres! 👭

sexta-feira, 10 de abril de 2020

PÁSCOA COM MULHERES: PERTO DA CRUZ, ELAS AMARAM ATÉ O FIM

“Perto da cruz de Jesus estavam sua mãe, a irmã dela, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena.” João 19.25.

A narrativa do Evangelho de João, testemunha que as mulheres, permaneceram perto da cruz até a morte. Jesus havia dito aos discípulos que estava chegando a hora, e que todos o abandonariam e o deixariam sozinho (João 16:32). Mas, as mulheres permaneceram firmes, frente a morte e o medo de represálias. As mulheres não fugiram. Elas ficaram juntas em vigília, perto da cruz, até o momento final. Na narrativa dos outros Evangelhos, as mulheres assistiram a morte de Jesus de longe. Mas na narrativa joanina, elas ficam perto da cruz, tão perto que Jesus consegue falar com sua mãe antes de morrer (João 19:26-27). As mulheres, tendo amado a Jesus, amaram até o fim (João 13:1).
Em memória delas, desejo ardentemente, que o mundo pós-pandemia, seja mais amoroso e solidário com os corpos crucificados, incluindo, os corpos das mulheres. A primeira vítima mortal da COVID-19 no Brasil foi uma mulher pobre, empregada doméstica de 63 anos. Durante o isolamento social, registra-se aumento de violência contra as mulheres. Ficar em casa, para algumas mulheres, não é uma escolha segura. Qual “vírus” é mais ameaçador e mortal para as mulheres em seu cotidiano? Segundo Paul Ricouer, a cruz, enquanto símbolo, central na tradição cristã, convida a pensar. O símbolo da cruz e um “Deus crucificado” celebrado nesta sexta pascal, vivida em tempo de pandemia, deveria interpelar o mundo ainda mais!
Que as mulheres que ficaram perto da cruz nos convidem a pensar!


Por Odja Barros


quinta-feira, 9 de abril de 2020

PÁSCOA COM MULHERES – VIDA ACIMA DO LUCRO!


A economia do cuidado comunicada nos últimos gestos de Jesus antes da cruz, parece revelar duas coisas: Primeiro, que as mulheres estavam presentes, ainda que tenham sido deixadas ausentes na narrativa dos Evangelhos nas cenas vividas no Getsêmani, na última ceia e no ritual do lava-pés. Elas estavam presentes, porque foi com elas que Jesus aprendeu a economia do cuidado.
Segundo, revela a dificuldade dos homens-discípulos de aceitarem o messianismo proposto por Jesus: o messias-vulnerável que desejou evitar o amargo cálice do sofrimento na cruz. O messias-servo que lavou os pés dos seus discípulos e o messias-corpo que se reparte em amor.
Enquanto Jesus, desesperadamente deixava estes últimos sinais, os discípulos, discutiam sobre quem sentaria à direita e à esquerda de Jesus na glória. Traíam, vendiam e negavam a Jesus.
Celebremos essa páscoa contra toda economia que coloca o lucro acima da vida. Celebremos essa Páscoa em memória delas!

Odja Barros


segunda-feira, 9 de março de 2020

LEITURA FEMINISTA DA BÍBLIA: O CHAMADO DA SABEDORIA


LEITURA FEMINISTA DA BÍBLIA: O CHAMADO DA SABEDORIA

A Sabedoria está chamando. Ela construiu uma casa, ergueu suas sete colunas. Matou animais para uma refeição, preparou seu vinho e arrumou a sua mesa. Enviou amigas para fazerem convites desde o ponto mais alto da cidade, clamando: Venham todas que buscam novos saberes e sabores. Venham comer a minha comida e beber o meu vinho que preparei!
A Sabedoria convida a que provemos do seu fruto: "A vocês, mulheres, eu clamo; a todas levanto a minha voz. Amo a todas que me amam, e aquelas que me procuram, me encontram. Meu fruto é saboroso! Todas as minhas palavras são deliciosas!
A Sabedoria (Ruah, Sophia) foi a arquiteta da criação e cocriadora de todas as coisas.  Nasceu quando ainda não havia abismos, quando não existiam fontes de águas; antes de serem estabelecidos os montes e de existirem as colinas ela nasceu. Ainda não tinha sido feita a terra, nem os campos, nem o pó com o qual formou o mundo. Quando foram estabelecidos os céus ela estava lá. Quando traçou o horizonte sobre a superfície do abismo. Quando colocou as nuvens em cima e estabeleceu as fontes dos abismos. Quando determinou as fronteiras do mar para as águas não violassem a sua ordem. Quando marcou os limites dos alicerces da terra. Ela estava lá como arquiteta da criação.
A Sabedoria está na porta e nos convida para encontrá-la. Ela está chamando, erguendo a sua voz; nos lugares altos, junto ao caminho, nos cruzamentos, ela se coloca ao lado das portas, à entrada da cidade. Portas adentro, ela clama em alta voz: Ouçam-me agora, minhas filhas: Como são felizes aquelas que andam nos meus caminhos! Ouçam-me e serão sábias. Venham todas! Venham comer a minha comida e beber o vinho que preparei!
Para aquelas que desejam trilhar o caminho da Leitura Feminista da Bíblia, Ela diz: "A água roubada é doce, e o pão que se come escondido é saboroso!
Um convite para o Acampamento de Mulheres IBP 2020.


Uma adaptação a partir de Provérbios 8 e 9 por Odja Barros


quinta-feira, 4 de julho de 2019

LANÇAMENTO DO LIVRO NO NORDESTE!

O debate sobre direitos reprodutivos no Brasil vem crescendo na agenda pública desde meados dos anos 2000. Muitos atores sociais estão envolvidos neste debate e na tramitação de projetos de lei, análises jurídicas, pesquisas. No entanto, podemos observar neste debate uma participação organizada, contundente e cada vez mais visível de religiosos cristãos, em seu amplo espectro que compreenderia desde católicos e evangélicos a kardecistas.
O modo de atuação destes religiosos é alvo de inúmeras pesquisas que advertem sobre a produção de narrativas fundamentadas em escrituras sagradas com o objetivo de inviabilizar a efetivação de políticas públicas, de estudos livres e de direitos para mulheres e para a população LGBT no Brasil.
Neste evento teremos a oportunidade de escutar e conversar com a organizadora do livro *Angelica Tostes (teóloga e pesquisadora externa PUC-GO) e uma das autoras, Odja Barros (teóloga e pastora da Igreja Batista do Pinheiro). 
*O evento terá *música ao vivo* com a dupla Andréa Laís e Léo Rosa. 
*Estaremos vendendo os livros no evento!
DATA: 08 de julho de 2019.
HORÁRIO: Início às 19h.
LOCAL: Igreja Batista do Pinheiro
R. Miguel Palmeira 1300 - Pinheiro, Maceió-AL.
APOIO: Grupo Flor de Manacá, Angeliquisses, Annablume Editora e Juventude Batista do Pinheiro.


sexta-feira, 8 de março de 2019

MULHER, CORPO E RESISTÊNCIA: Um manifesto a partir do nosso corpo e nossa fé!

Com e a partir de nossos corpos lemos a Bíblia, a Vida!
Com e pelos nossos corpos vivemos uma espiritualidade encarnada!
Com e pelo nossos corpos vivemos uma fé feminista de libertação!
Com e em memória dos corpos das nossas ancestrais bíblicas fazemos uma leitura bíblica de cura e libertação para nossos corpos hoje!
Com e pela memória dos corpos resistentes das parteiras hebréias Sifrá e Puá que construíram a partir dos seus corpos vida e libertação!
Com e em memória do corpo violentado de Tamar e o corpo rebelde da outra Tamar que sofreram no seus corpos a dor e marca da opressão!
Com e em memória do corpo belo e negro da Sulamita que lutou pela liberdade de amar e ser amada.
Com e em memória do corpo esquartejado da "concubina" do levita e pelo corpo sacrificado da filha de Jefté sinais da violência sofrida em nome de Deus e das disputas de poder masculino na Bíblia.
Com e em memória do corpo erótico de Judite que livrou seu povo da guerra e pelos corpos de Noemi e Rute que resistiram em sororidade politica!
Com em memória do corpo jovem transgressor de Maria de Nazaré que tornou bem aventurados todos os corpos das mulheres pobres esquecidos da Galileia.
Com e em memória do corpo de Maria Madalena, corpo escolhido para ser a primeira testemunha da ressurreição.
É em memória delas, de seus corpos, dos corpos de todas as mulheres nomeadas e não nomeadas na Bíblia que fazemos Leitura feminista da Bíblia!
Com e pelos nossos corpos e por todos os corpos ameaçados, violentados, assediados, silenciados lutamos e resistimos!
Com nossos corpos em comunhão com o corpo do mundo choramos a destruição patrocinada pela ganancia do poder e do lucro!
Com e pelos nossos corpos construiremos um novo mundo possível onde todos os corpos possam existir e amar sem medo!
Com e pelos nossos corpos celebramos a festa da vida contra todas as forças da morte!
Porque todos os corpos são sagrados, espaço de amor e revelação da Ruah, criadora que nos fez CORPO e viu que "Era bom"!
Esse é o nosso Corpo! Essa é a nossa Fé!



Por Odja Barros


terça-feira, 29 de novembro de 2016

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: O que a Igreja tem a ver com isso?

Dia 25 de Novembro é o Dia Internacional Dedicado a Não Violência contra as Mulheres.  A Igreja do Pinheiro esteve mais uma vez num ato público denunciando esse pecado estrutural que tem matado 16 mulheres por dia em Alagoas, no Brasil e em toda América Latina.
Mas, o que a Igreja tem a ver com isso? Depois das últimas pesquisas divulgadas que acusam que 40% das mulheres vítimas de violência doméstica no Brasil são EVANGÉLICAS não é possível mais que as igrejas se isentem da culpa e da luta.
As Igrejas evangélicas, formadas em sua maioria por mulheres tem um duplo potencial no contexto de uma cultura machista violenta: Podem ser aliadas das mulheres na sua luta pela dignidade e direito à vida ou podem ser aliadas da cultura machista que mata. Sim! Não existe neutralidade. Se há omissão de igrejas que dizem não ter nada a ver com isso, e, portanto, esse não é um assunto para se importar, tal omissão está somando para fortalecer o machismo que mata.
De que lado estão a maioria das Igrejas evangélicas no Brasil?  Os dados da pesquisa tristemente e vergonhosamente dão uma resposta incontestável. As Igrejas também são culpadas! Por ação ou omissão, são culpadas!
São culpadas quando dos púlpitos ou nos estudos bíblicos são repetidos e reforçados os discursos de inferioridade, subordinação das mulheres ensinando que as mulheres devem ficar caladas. Quando reforçam relações injustas de poder e dominação dos homens sobre as mulheres. Quando a favor da proteção dos “valores da família tradicional” não denunciam os casos de violência e abuso no seio das famílias evangélicas. Quando se negam a ser espaços seguros que favoreçam a denúncia e o cuidado às mulheres das Igrejas vítimas de violências diárias. Quando ignoram e ficam indiferentes aos casos de violências de mulheres ocorridas cotidianamente dentro e no entorno da igreja. Quando não falam sobre isso em seus cultos e reuniões. Quando reproduzem interpretações bíblicas patriarcais que legitimam desigualdades, violências e opressões que alimentam o intento dos homens dominadores e violentos que agridem e matam, considerando mulheres como propriedade. Por essas e outras razões é que ouso dizer que o sangue derramado dos 40% das mulheres evangélicas vítimas de violência será cobrado mais das mãos dos religiosos e igrejas do que de qualquer outro poder ou instância.
Que respostas as Igrejas evangélicas brasileiras darão a essa alarmante realidade denunciada pela pesquisa? Temo que a maioria continuará a não se importar, perguntando: O que tem as Igrejas a ver com isso?

Pra. Odja Barros


terça-feira, 1 de novembro de 2016

Grupo Flor de Manacá: 10 anos de Mulher, Bíblia e Nordeste

Historicamente as igrejas batistas tiveram organizações femininas que visavam reunir mulheres e trabalhar temas relacionados ao “universo feminino”, mas a lógica e conteúdo dessas organizações sempre foram em sua maioria legitimadora e reprodutora de conceitos e padrões patriarcais e marcada pela reprodução sistemática de conteúdos prontos, sem qualquer articulação com os grandes dilemas sociais, políticos, culturais, e mesmo espirituais que tocam especificamente a vida de mulheres em seus contextos mais específicos.
A Bíblia por sua vez sempre teve valor imensurável e, portanto, sempre esteve presente na prática dessas organizações de mulheres, porém sempre trazida numa lógica e argumento patriarcal reforçando posturas como culpabilização da mulher pelo pecado original, submissão e legitimação da desigualdade entre homens e mulheres. As histórias ou narrativas bíblicas foram sempre usadas para reforçar certo tipo de comportamento e virtudes nas mulheres de cristãs “piedosas” com discursos de subserviência voluntária como virtude cristã.
No ano de 2006, o grupo Flor de Manacá foi organizado na Igreja Batista do Pinheiro como um grupo de Bíblia e gênero que visava interpretar textos bíblicos a partir de uma perspectiva feminista, inaugurando, assim, na Igreja Batista do Pinheiro uma nova possibilidade de relação com a Bíblia, marcada por uma metodologia de leitura popular e feminista da Bíblia e pela relação direta com os dilemas enfrentados no cotidiano das pessoas que vivem nessas comunidades.
A iniciativa foi de um grupo de mulheres da própria igreja, que começou a se reunir com o objetivo de ler a Bíblia a partir da perspectiva de gênero. O grupo surge provocado por duas realidades: a primeira delas é a situação de vida de uma grande parte de mulheres nordestinas que ainda sofrem com o peso cultural do discurso machista e violento perpetuado por parte da cultura nordestina; a outra realidade que provocou o grupo diz respeito à forma como o discurso bíblico e religioso é legitimador dessa cultura machista que foi e continua sendo incorporado pela cultura nordestina. Muitos homens e principalmente mulheres vivem debaixo do jugo das muitas leituras patriarcais, opressoras e violentas, que têm gerado relações injustas, medo, dor e marcas profundas.
O nome flor de manacá foi inspirado na história de uma matriarca da comunidade e sua paixão pelos “ pés de manacá”, arbustos que dão flores mutáveis. As flores de manacá nascem lilás, depois ficam rosada e no último ciclo ficam brancas. Mudam de cor de acordo com suas fases de amadurecimento “A flor de manacá tem muito em comum com essa matriarca da comunidade (irmã Moça como era conhecida), com as mulheres da Bíblia, com as mulheres nordestinas e com todas as mulheres: “resistência, capacidade de sobreviver e reproduzir-se em condições difíceis, mantendo a beleza das cores. Tudo isso traduzido em uma bela floragem de cores branca, rosa e lilás. ”  O grupo Flor de Manacá em 2016 completa 10 anos de uma leitura bíblica libertadora e transformadora.  Com o lema: Mulher, Bíblia e Nordeste, o Grupo Flor de Manacá busca caminho de libertação, de cura e de reconstrução que traga vida melhor para mulheres nordestinas através da releitura da Bíblia”.

Pra. Odja Barros